“ÚRSULA”: POSSÍVEIS CONTRIBUTOS PARA O ENFRENTAMENTO DA VISÃO CONSOLIDADA DE "ESCRAVIDÃO BENIGNA" E DOS SEUS CONSECTÁRIOS PARA O BRASIL NO TEMPO PRESENTE

Isabelle Maria Campos Vasconcelos Chehab, Victor Hugo Agapito

Resumo


Úrsula, obra de autoria de Maria Firmina dos Reis, publicada na então província do Maranhão, em 1859, foi o primeiro romance abolicionista escrito por uma mulher nordestina negra no Brasil. Não apenas isso: foi, igualmente, a primeira obra brasileira responsável por garantir voz às vítimas da escravidão e às suas dores – individuais e coletivas. A despeito da sua relevância histórica e social, Úrsula permaneceu no ostracismo até 1962, quando foi redescoberta pelo bibliógrafo Horácio de Almeida. O artigo assume como objetivo central analisar, por intermédio de pesquisa bibliográfica e documental, os possíveis contributos de Úrsula para uma viragem epistemológica sobre a ideia da “escravidão benigna” e os seus consectários para o Brasil. Nesse sentido, o primeiro tópico apresenta um contexto conceitual e histórico da obra. Já o segundo, comenta sobre as inovações decorrentes de Úrsula, com destaque para o reconhecimento das vozes costumeiramente subalternizadas pelo sistema escravocrata, trazendo relevo às suas dores – individuais e coletivas, sobretudo, no que concerne às mulheres. Por derradeiro, o terceiro discute o possível contributo de Úrsula para uma nova perspectiva em torno da escravidão no Brasil, assim como sobre as vis permanências do nosso passado escravocrata no tempo presente.  


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e-ISSN: 2525-5096